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ANÁLISE: Uma Cara Corajosa, Teatro Mercury Colchester ✭✭✭✭
Publicado em
Por
pauldavies
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A Cara Corajosa
Mercury Theatre, Colchester.
8 de fevereiro de 2018
4 Estrelas
Reserve já Em mais de dois anos de trabalho, a companhia de teatro de máscaras Vamos, numa coprodução com o Mercury Theatre, criou uma peça delicada e poderosa sobre Perturbação de Stress Pós-Traumático. Situada entre 2009 e 2011, acompanha dois jovens de Middlesbrough que se alistam no Exército Britânico e são destacados para o Afeganistão. Este curto período das suas vidas é também o mais breve da peça; é nas consequências devastadoras da guerra — a perda de um dos soldados e o horror testemunhado — que assenta a maior parte do espetáculo, sobretudo no impacto sobre a família.
A autora e encenadora Rachael Savage concebeu uma obra exemplar na sua sensibilidade, que chega mesmo à plateia, onde são implementadas medidas para apoiar quaisquer veteranos ou espectadores que sofram de PSPT. Não há explosões nem tiros; quando uma bomba rebenta, somos mergulhados na escuridão, e a peça torna-se ainda mais eficaz precisamente pelo cuidado com que é construída. Como em todas as produções da Vamos, juro que as máscaras têm expressões: o elenco trabalha fisicamente de tal forma que fico convencido de que as máscaras riem e choram.
O elenco está soberbo. No papel de Ryan, o jovem soldado, James Greaves traça o seu percurso ao mais alto nível — de adolescente aborrecido a jovem recruta, passando a um homem trémulo e aterrorizado, a lutar contra os seus demónios com álcool. Os laços familiares são retratados com grande força e Joanna Holden, entre as muitas personagens que interpreta, é excelente como a irmã mais nova de Ryan: atrevida, carinhosa e, no fim, o símbolo de esperança. Sean Kempton é um Jimmy maravilhosamente masculino, o soldado solidário, e Rayo Patel dá a Ravi uma caracterização e uma carga emotiva notáveis. Angela Laverick é particularmente brilhante como a mãe de Ryan — uma “mãe de todos”, cuidadosa, sempre a afagar, a transbordar amor e preocupação.
Há imensas cenas marcantes, mas o espetáculo faz especialmente bem o retrato da camaradagem do pequeno grupo de soldados. Os soldados trocam piadas; não lidam com sentimentos profundos; o humor é a sua forma de sobreviver — e isso surge na medida certa para nos fazer sentir a perda. O laço que Ryan cria com uma rapariga afegã é um reflexo perfeito do vínculo que tem com a irmã. A Vamos é uma das melhores companhias de teatro a trabalhar no Reino Unido atualmente e parte numa digressão nacional com A Brave Face. É imperdível.
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