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CRÍTICA: Bound, Southwark Stayhouse Online ✭✭✭✭
Publicado em
24 de abril de 2020
Por
pauldavies
Paul T Davies analisa Bound, de Jesse Briton, agora disponível em streaming online como parte do Southwark Stayhouse, apresentado pelo Southwark Playhouse.
Bound Bound
Southwark Stayhouse Online
Data: Quando carrega no play.
4 Estrelas
É uma experiência estranha ver teatro online. Quem diria que o buffering passaria a fazer parte das nossas frustrações ao assistir? Nem todos os teatros tiveram a robustez técnica de um NT Live, e a transmissão só consegue mesmo dar um vislumbre do que deve ter sido estar na plateia. Ainda assim, eu — e muitos de vocês — estamos gratos por a termos, sobretudo quando nos dá a oportunidade de ver produções que nos escaparam. É o caso do Southwark Stayhouse, com produções agora em streaming do Southwark Playhouse, e Bound, de Jesse Briton, é uma descoberta preciosa.
Apresentada de forma astuta como “Seis actores, cinco cadeiras, uma mesa e um oceano”, a peça acompanha seis pescadores de arrasto de Devon quando embarcam numa última viagem. A empresa que os emprega faliu, mas, desesperados por dinheiro, a tripulação arrisca, acreditando que será o único barco de pesca no mar e que trará a captura para casa. Não é — e, quando o tempo vira, percebemos que esta história só pode acabar de uma maneira. O elenco, Thomas Bennett, James Crocker, Joe Darke, Alan Devally, Daniel Foxsmith e John McKeever, é excelente, cada um com uma personagem claramente identificável — homens carregados de preocupações e pressão. Apresentada no pequeno palco do The Vault, sob a London Bridge, a claustrofobia da embarcação fica bem captada, mas os choques de ego e a pose machista acabam por gerar muitos gritos, tornando o texto difícil de ouvir e acompanhar nalguns momentos. Para cobrir as transições, são cantadas canções do mar relevantes para a região e para as vidas destes homens, tal como Wonderland, no Hampstead Theatre, usou canções de mineiros para evocar a Greve dos Mineiros de 1984–85. Isto eu teria achado muito eficaz na sala; no ecrã, porém, pode parecer um pouco estereotipado.
Ainda assim, Briton encena com paixão, e é evidente que esta peça nasce de um lugar muito pessoal. A música e o movimento de Joe Darke — que também trabalhou como Director Associado — são extremamente eficazes, e a movimentação a bordo é impressionante. E aqui está o motivo para continuar, mesmo que o conforto de casa torne mais difícil deixar-se levar para o mar. As trocas entre os homens, a pose, os egos, começam finalmente a ser despidos quando a tripulação se confronta com a própria mortalidade. Os últimos vinte minutos são extraordinários, profundamente comoventes e, com muito poucos efeitos, inundam-nos com vagas de emoção. É um testemunho da vitalidade e singularidade do teatro — e vale bem o seu tempo. Embora eu não queira habituar-me a ver teatro online, fico muito contente por ter tido a oportunidade de assistir a Bound.
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