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O Que Assistir em 2018 - Paul T Davies
Publicado em
16 de janeiro de 2018
Por
pauldavies
Falar de todos os espetáculos que estou ansioso por ver em 2018 iria alongar esta coluna para lá da vossa paciência, por isso achei melhor focar-me em três aspetos diferentes — e ainda acrescentar mais alguns!
O ENCENADOR. Uma das minhas encenadoras favoritas é Emma Rice, que me fez voltar ao Globe depois de sentir que, nos anos anteriores, o teatro se tinha tornado demasiado sisudo para o meu gosto. Agora que está livre de quaisquer amarras que lhe possam ter imposto, estou entusiasmado por ver o seu novo trabalho e por dar as boas-vindas ao regresso de um dos seus clássicos. A sua nova companhia, Wise Children, é a nova companhia residente no Old Vic, em Londres, e a primeira produção será uma adaptação do romance clássico de Angela Carter, Wise Children. Uma história de gémeas nascidas do lado “errado” dos lençóis de um cavaleiro do teatro — a sua teatralidade e capacidade de contar histórias fazem dela a combinação perfeita para o modo visionário e brincalhão de fazer teatro de Rice. Ainda não há detalhes sobre a montagem, mas deverá acontecer algures em 2018. Entretanto, a sua produção clássica da Kneehigh de Brief Encounter regressa ao West End, no recém-restaurado Empire Cinema. É raro eu ver um espetáculo mais do que uma vez. Vi a primeira temporada em Londres três vezes — se ainda não viu, tem mesmo de ir! Continua na minha lista de produções favoritas de sempre.
Emma Rice, Diretora Artística do Shakespeare's Globe. Foto: Sarah Lee O DRAMATURGO. Um dos meus preferidos é Martin McDonagh, por isso uma nova peça dele é sempre um grande acontecimento. Hangmen foi um triunfo no Royal Court e no West End em 2015, por isso é um alívio que a espera tenha sido curta por A Very Very Very Dark Matter, que estreia no Bridge Theatre em outubro. Com Jim Broadbent — na sua primeira colaboração com McDonagh desde The Pillowman —, é a história de Hans Christian Andersen e do segredo sombrio que habita no sótão lá em cima, com a sua existência escondida do mundo exterior. O Bridge é um teatro lindíssimo, com espaço suficiente para as pernas até de um gigante como eu, e mal posso esperar para ver esta peça! Deve ser um dos êxitos do ano, mas, como se uma peça nova não bastasse, há ainda outro McDonagh: a raramente apresentada The Lieutenant of Inishmore, que é reposta. A estreia no West End de Aiden Turner incendiou a bilheteira desta produção, e a encenação é de Michael Grandage, que também está a repor Red, com Alfred Molina, retomando o seu papel de Mark Rothko. Ambas as peças deverão ser grandes acontecimentos este ano.
Martin McDonagh O TEATRO. Muito se tem dito, em certos círculos críticos, sobre os “fracassos” de palco no Olivier do National Theatre em 2017. Pessoalmente, gostei bastante de Salome, não vi Common, mas concordei com os meus colegas críticos (e com o público) que Saint George and the Dragon não tinha salvação. Mas isso ignora Angels in America, Follies, Network, My Country: A Work in progress e a força da nova escrita que o Dorfman se tornou (aproveite a transferência de Beginnings, de David Eldridge, para o Ambassadors a partir de janeiro). Para mim, foi o teatro de que mais gostei no ano passado, e tudo indica que 2018 será igualmente forte. Macbeth com Rory Kinnear e Anne Marie Duff deverá ser um clássico, e Amadeus regressa de forma muito bem-vinda ao Olivier. Estou mesmo à espera com entusiasmo da nova produção de Absolute Hell, de Rodney Ackland. Judi Dench já afirmou publicamente que o papel de Christine Foskett é o seu favorito de sempre, e o DVD da produção (na caixa Judi Dench at the BBC) demonstra esse amor — é um papel de arrombar a casa. Passada no Soho do pós-guerra, devastado pelos bombardeamentos, ainda não há notícias sobre o elenco, mas, naturalmente, muitos estão a torcer por Olivia Coleman! No Dorfman, John é uma nova peça de Annie Baker, cuja The Flick foi um grande êxito por cá em 2016; The Great Wave é um novo thriller épico que começa com uma tempestade numa praia japonesa; e Nine Night, de Natasha Gordon, explora a celebração do velório jamaicano Nine Night Wake. Mais tarde no ano, Sam Mendes irá encenar The Lehman Trilogy no Lyttleton, um épico sobre a ascensão e queda dos irmãos Lehman. O National pode voltar a ser o sítio certo para estar este ano!
Olivier Theatre no National E NO RADAR.... Os meus teatros regionais são o New Wolsey Theatre e o Mercury Theatre, e ambos estão a apresentar novos musicais esta temporada — o novo musical britânico parece estar de ótima saúde! No New Wolsey, apostaram no local e estão a celebrar o 40.º aniversário da vitória do Ipswich Town na Taça de Inglaterra (FA Cup), com um espetáculo construído a partir de memórias de adeptos e uma banda sonora ao vivo com êxitos de 1978. No Mercury, Pieces of String, um novo musical de Gus Gowland, decorre em simultâneo nos anos 1940 e nos dias de hoje e, dado o excelente histórico recente do Mercury na apresentação de musicais, deverá ser um destaque. Estou também ansioso pela encenação, no Mercury, da vencedora do Playwriting Prize 2017: Europe After the Rain, de Oliver Bennett. Fui um dos leitores desta competição e destaquei esta peça como vencedora; Bennett tem uma voz original e trata-se de uma peça atual, a transbordar de ideias e de uma encenação apurada. Imperdível!
Mercury Theatre, Colchester
Seja o que for que vá ver em 2018, espero que o teatro continue a recompensá-lo e que encontre muitas produções para guardar no coração e recordar para sempre.
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