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CRÍTICA: The Mikvah Project, Festival de Teatro Lockdown ✭✭✭
Publicado em
Por
pauldavies
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Paul T Davies analisa The Mikvah Project, de Josh Azouz, agora disponível na BBC Sounds, com Josh Zaire e Alex Waldmann.
The Mikvah Project.
Festival Lockdown Theatre na BBC4, agora na Sounds.
3 estrelas
Oiça agora A produção de The Mikvah Project do Orange Tree Theatre estava a meio da temporada quando os teatros foram obrigados a fechar em março. Este festival, ainda que breve, dá-nos a oportunidade de recuperar quatro produções que poderiam ter-se perdido por completo devido à crise. Eitan tem 17 anos e está no ensino superior; Avi tem 35 e é casado. Todas as sextas-feiras encontram-se no mikvah para partilhar o ritual judaico de imersão — serem envolvidos por água de nascente, serem purificados. Falam-nos diretamente ao apresentar a peça, e a atmosfera e o espaço estão perfeitamente recriados na paisagem sonora; a narração na terceira pessoa funciona bem em rádio.
Josh Zar e Alex Waldmann em The Mikvah Project. Foto: The Other Richard
A peça de Josh Azouz é sobre ritual, espaços masculinos e fé, e fez-me lembrar um pouco Bubble Schmeisis, de Nick Cassenbaum. É um ritual onde a nudez masculina é permitida — talvez até esperada — e Josh Zaire capta na perfeição a falsa bravata adolescente de Eitan, obrigando-se a falar de estruturas heteronormativas, como as raparigas de quem gosta, carros e machismo, enquanto tenta esconder as ereções que tem quando está com Avi. Como o homem mais velho, Alex Waldmann orienta Eitan para a segurança e fiabilidade de um bom casamento, embora as suas tensões e stress venham do facto de ainda não ter sido pai. A amizade entre ambos é mais de pai e filho até ao momento em que Eitan beija Avi. A resposta do homem mais velho é sugerir que ele procure um terapeuta, ou comentar que, na juventude, costumava jogar jogos de computador mas já não o faz. Tudo soa e parece particularmente antiquado à luz de trabalhos LGBTQ+ mais recentes — o próprio Eitan diz que soa a “parvo”.
À medida que Avi fala do seu casamento com Layla e as necessidades de Eitan aumentam, Avi combina ir a outro mikvah; por isso, parece incongruente que aceitasse ir com Eitan para Alicante. Mas esse episódio sublinha a negação de Avi e o amor de Eitan, e há uma sequência comovente quando o mikvah ainda assim não os purifica destes sentimentos. No entanto, a peça nunca consegue romper as limitações que impõe a si própria: Layla perdoa Avi pela semana fora e os riscos nunca sobem verdadeiramente. O ponto parece ser que, para muitos homens nesta situação, o impasse — o contacto em lugares aprovados, espirituais — é mais importante do que ser ostracizado pela família. É uma peça ternurenta, muito bem interpretada, que promete mais do que, no fim, entrega.
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