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CRÍTICA: Blood Brothers 2017, New Victoria Theatre Woking (Em Turnê) ✭✭✭✭
Publicado em
Por
douglasmayo
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O elenco de Blood Brothers (Elenco anterior) Blood Brothers
New Victoria Theatre, Woking
Atualmente em digressão
17 de janeiro de 2017
4 estrelas
Informações da digressão – Reserve já Há uma razão para Blood Brothers ser o terceiro espetáculo com mais tempo em cena na história do West End, e para o seu sucesso contínuo em digressão (acho que possivelmente só Bill Kenwright e Willy Russell sabem ao certo há quanto tempo esta digressão anda na estrada!), e para que, como hoje à noite, com casa cheia em Woking, toda a plateia se levantasse no final: é que este é um espetáculo sem pretensões nem floreados que nos agarra ao coração.
Foi interessante para mim ver hoje à noite este veterano ao lado de alguém que nunca tinha visto Blood Brothers; e por vezes é preciso lembrar-nos de que ainda há quem não tenha visto este espetáculo. Por isso, entrar demasiado no enredo traria demasiados spoilers — vou limitar-me a falar das interpretações e da qualidade do próprio espetáculo.
Blood Brothers é um espetáculo que assenta em alguns fatores-chave. Se falhar algum deles, está tudo perdido antes de começar. Em primeiro lugar, como a maioria dos atores tem uma idade cénica entre os 7 e os 28 (mais ou menos), é essencial acreditarmos verdadeiramente na forma como representam crianças; em segundo, a verdade e a intensidade do drama em palco nunca podem esmorecer (sempre um desafio em produções de longa duração e em digressões); e por último, o ritmo é tudo — este espetáculo tem um dos finais mais fortes que existem, mas se for mal cronometrado, vai tudo por água abaixo.
Este elenco acertou em cheio nos elementos infantis que os papéis exigem. A fisicalidade, as reações cheias de nuance e a ousadia ainda hesitante puseram o público às gargalhadas. Tudo muito bem conduzido e, graças a uma marcação cuidada, o vigor juvenil do primeiro ato é um regalo. O Sammy de Adam Search, a Linda de Alison Crawford, a Brenda de Joanne McShanes e o Perkins de Henry Regan (ai!) foram simplesmente maravilhosos.
Elenco anterior: Sean Jones & Simon Willmont
Como gémeos, Sean Jones (Mickey) e Mark Hutchinson (Eddie) estiveram irrepreensíveis, enquanto todo o cenário “natureza vs. criação” se desenrola na Grã-Bretanha thatcherista. Interpretações sólidas do princípio ao fim e uma ligação genuína fizeram desta dupla uma das melhores combinações que já vi.
O papel de O Narrador, interpretado por Dean Chisnall, é um assunto delicado. O Narrador em Blood Brothers é a personificação da verdade. Está sempre presente, apesar da negação e da aparência, confrontando as personagens principais nos seus momentos mais vulneráveis e guiando o público por este relato duro e realista. Chisnall acerta em cheio: elegante e seguro, mas ameaçador e omnipresente — uma interpretação fresca de uma personagem que, muitas vezes, pode acabar por se dissolver nas sombras.
Esta companhia de Blood Brothers conta com a sorte de ter Tim Churchill como Mr Lyons, Graham Martin — cuja transformação de diretor de uma public school para professor exausto numa escola pública foi notável — e Sarah Jane Buckley, cuja Mrs Lyons transbordou de paranoia, nunca exagerada, mas sempre a fervilhar até que, sem dizer uma palavra, transborda e prepara o final da história. É um conjunto talentoso de grandes atores.
Elenco anterior com Lyn Paul como Mrs Johnstone
E depois, claro, há a maravilhosa Lyn Paul como Mrs Johnstone. Uma interpretação cheia de verdade, de consciência e de puro talento. Paul consegue irradiar baldes de amor maternal que se sentem até ao fundo de um enorme auditório. No final, vemos mesmo o rosto pálido de uma mãe devastada. Perfeição.
Adoro sempre ver Blood Brothers com uma plateia de adolescentes. Sabe-se que não vão tolerar tretas. Ao longo da sessão de hoje à noite estiveram em silêncio, depois a rir, envolvidos no drama e, após o espetáculo, a aplaudir e a gritar antes de se juntarem em pequenos grupos, em lágrimas. Tal é o poder de contar histórias de forma honesta e genuína. Bob Tomson e Bill Kenwright (encenadores), Phil Gostelow (diretor musical) e Andy Walmsley (cenografia), Nick Riching (luz) e Dan Samson (som) merecem parabéns por manterem o espetáculo fresco, vivo e relevante para o público jovem do teatro.
Dois dos meus momentos preferidos esta noite tiveram de incluir os números Miss Jones e Shoes Upon The Table/Madman. Na Grã-Bretanha da austeridade, Miss Jones — com a fila do desemprego incluída — tocou num ponto sensível.
Quanto à precisão de que falei no final do espetáculo, foi mesmo certeira. O risinho nervoso de uma plateia em choque ouviu-se exatamente como devia.
Se ainda não viu Blood Brothers, faça questão de apanhar a digressão atual. Atenção: se o espetáculo enche um teatro numa noite de terça-feira, talvez tenha de se despachar!
SAIBA MAIS SOBRE A DIGRESSÃO DO REINO UNIDO DE BLOOD BROTHERS
Pedimos desculpa: à data de publicação desta crítica, não estavam disponíveis fotografias do elenco atual.
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