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CRÍTICA: Nossas Senhoras do Perpétuo Socorro, Teatro Nacional ✭✭✭✭
Publicado em
Por
douglasmayo
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Our Ladies Of Perpetual Succour
Teatro Dorfman - National Theatre
13 de agosto de 2016
4 Estrelas
Reservar agora NOTA: Our Ladies Of Perpetual Succour já foi transferido para o Duke Of York's Theatre
Depois de uma semana relativamente fraquinha em termos de teatro, fui ver à última da hora que opções poderiam surgir. Sabendo que a noite de encerramento de Titanic me iria deixar completamente arrasado(a), optei por uma sessão tardia de Our Ladies Of Perpetual Succour, que acaba de estrear no National Theatre. O espetáculo chega ao National vindo do National Theatre of Scotland, após uma digressão nacional.
Our Ladies Of Perpetual Succour é uma peça com música, adaptada por Lee Hall, a partir do romance The Sopranos, de Alan Warner. É a história de seis raparigas de Our Ladies que, viajando de Oban para Edimburgo para participar num concurso de coro, fazem asneiras, cantam, vivem tudo o que a vida tem para oferecer e, nas palavras delas, “enlouquecem!”. Para quem não conhece The Sopranos (como eu), isto não é uma noitada com as raparigas de St Trinians; esta história e a sua encenação parecem dever muito a Bouncers, de John Godber, com um toque de Trainspotting (e talvez um pouco de Pitch Perfect) para rematar.
No fim de contas, no seu núcleo, está um ensemble de atores extremamente talentosos, capazes de canalizar vozes de anjos num minuto e transformar-se em crias do diabo no seguinte. Conversas sobre gravidez e sobre quem iam “comer” a seguir encheriam qualquer pai ou mãe de pavor só de pensar em enviar a filha para Our Ladies. Uma piada na peça sobre a escola ser a Virgin Megastore foi um sucesso. O mais assustador é que os acontecimentos se desenrolam todos num só dia!
As raparigas de Our Ladies são interpretadas pelas diabolicamente talentosas Melissa Allen, Caroline Deyga, Karen Fishwick, Kirsty MacLaren, Frances Mayli McCann e Dawn Sievewright, apoiadas por Amy Shackcloth, Becky Brass e Emily Linden. Estas raparigas conseguem elevar as vozes aos céus com Lift Thine Eyes de Mendelssohn e Enchanting Song de Bartók, antes de se lançarem em canções — a maioria delas da autoria do grande Jeff Lynne, dos ELO. Musicalidade não falta! Os arranjos musicais de Martin Lowe para Mr Blue Sky, Long Black Road, Sweet Talkin' Woman, Don't Bring Me Down, Shine A Little Love e Wild West Hero, magnificamente conduzidos pelas senhoras, puseram o Teatro Dorfman a vibrar na noite de sábado. A dramatização coesa da narrativa é, aqui, algo digno de ver.
Fica o aviso: esta não é uma noite de teatro para pessoas melindrosas ou de nervos fracos — as “Ladies” dizem palavrões como marinheiros e o tema, por vezes, roça o pornográfico — mas, tirando isso, é uma história do caraças. Our Ladies também mantém os sotaques. Não há um momento para relaxar no espetáculo; demorei um bocado a habituar o ouvido ao escocês dito a alta velocidade, o que é pena, porque a rapidez das apresentações das personagens passou-me completamente ao lado.
A produção de Vicky Featherstone mantém um ritmo relativamente acelerado, mas começa a arrastar-se perto do final e perde algum fulgor. Em última análise, Our Ladies não foi propriamente ao meu gosto, mas seria preciso ser tolo para não reconhecer o talento extraordinário em palco — e a reação do público (sobretudo os mais jovens) foi levantar-se em massa no final.
OUR LADIES OF PERPETUAL SUCCOUR ESTÁ AGORA EM CENA NO DUKE OF YORK'S THEATRE
https://youtu.be/-XtG1DaCweE
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