Desde 1999

Notícias e Críticas Confiáveis

26

anos

o melhor do teatro britânico

Bilhetes oficiais

Escolha seus assentos

Desde 1999

Notícias e Críticas Confiáveis

26

anos

o melhor do teatro britânico

Bilhetes oficiais

Escolha seus assentos

  • Desde 1999

    Notícias e Críticas Confiáveis

  • 26

    anos

    o melhor do teatro britânico

  • Bilhetes oficiais

  • Escolha seus assentos

NOTÍCIAS

CRÍTICA: Rasputin Rocks, Stockwell Playhouse ✭✭

Publicado em

Por

julianeaves

Partilhar

Maria Alexe como a Imperatriz da Rússia, com Robyn Hampton, Charlotte Shaw e Jessica Townsley como a Guarda Imperial do Kremlin, em Rasputin Rocks

Stockwell Playhouse,

16 de novembro de 2017

2 Estrelas

Comprar bilhetes

Quando se ouve dizer que uma dupla de autores andou a trabalhar num espetáculo durante 10 anos antes de, finalmente, o levar ao palco para perceber como funciona na prática, fica-se — talvez com razão — cauteloso.  Porque demorou tanto?  Será que vai ser tão bom como o “Mormon”, que levou mais ou menos o mesmo tempo?  Ou haverá outra razão para este atraso?  Claro que dá gosto saber que novos autores chegam por fim aos palcos com um novo espetáculo tresloucado sobre um Monge Louco ressuscitado que lida com... entre todas as pessoas... Tony Blair.  E depois vem a dúvida: o Tony não está já um bocadinho fora de prazo?  Este espetáculo acompanhou mesmo os tempos?

Andrew Hobbs como Tony Blair em Rasputin Rocks

Bem, sim e não.  As cenas com Tony Blair, interpretado pelo autor-produtor-encenador-co-estrela Andrew Hobbs (um papel multidisciplinar que faz soar alguns alarmes), são provavelmente as mais conseguidas: Hobbs escreveu-as para si próprio e sabe como se valorizar.  O seu estilo é muito Canal Cafe Theatre, muito News Revue, e é bastante divertido nessa linha.  Não é, no entanto, um escritor típico de drama — quanto mais de musicais.  Também o compositor, Alastair Smith, é um MD competente e autor de música incidental para companhias como a British Touring Shakespeare.  A distância entre essa função e criar uma partitura para uma peça musical é, porém, enorme, e é preciso ser muito indulgente com ele se esta primeira incursão numa forma tão exigente não for tão bem-sucedida quanto poderia.  Embora haja muito a elogiar nas suas imitações certeiras de estilos de bandas de rock bem conhecidas — de Aerosmith a country, de Laibach e por aí fora — existe também uma tendência preocupante para a escrita melódica ser muito literal, numa musicalização algo arrastada das linhas das letras, que raramente exibem o mesmo caráter ou a mesma graça do diálogo escrito para o Sr. Blair.  Aliás, quando confrontado com as outras figuras desta história algo sombria e deprimente de decadência e morte no Kremlin, pode tornar-se pesadamente melancólico; fica atolado em criar ambiente quando seria mais útil direcionar a atenção para fazer a narrativa avançar a um ritmo mais vivo.  O resultado é que tudo acaba por parecer muito mais longo do que realmente é.

Jake Byrom como Rasputin, com Robyn Hampton e Jessica Townsley

A encenação estática e pouco pensada não ajuda.  Nem o design — aliás, quem fez o design?  Ninguém é creditado.  Parece a montagem de um concerto de rock, com quatro pilares de passarela “falsos” à frente da banda em palco (já lá vamos).  Será também trabalho do incansável Sr. Hobbs?  Não me espantaria.  Se alguma vez houve prova de que cortar nos honorários dos criativos para pôr o espetáculo — de alguma forma — em cena e diante de um público qualquer é o pior caminho possível, esta produção dá-a, e em grande.  Há coreografia, mais ou menos, de Nicky Griffiths, mas fica-se a pensar quanto tempo terá esta veterana do West End tido para afinar o elenco e ainda desenvolver algum tipo de conceito para a produção.  Como está, tudo parece muito improvisado e mal alinhavado.

Barry Greene como Anton e Tanya Truman como Svetlana

Sim, o elenco faz o melhor que pode.  Para além da presença dominante do Sr. Hobbs, há uma prestação muito meritória de Maria Alexe como a Imperatriz da Rússia (uma espécie de papel à Ivan, o Terrível, no feminino, com canções), e uma interpretação encantadora de Tanya Truman como a suposta “paixão” Svetlana.  Jake Byrom faz o que pode para tornar Rasputin credível, e Barry Greene é um Anton vocalmente muito apelativo — além de ser Produtor Associado neste projeto ambicioso.  Os restantes papéis ficam a cargo de Jay Joel, Tristan Ward, Robyn Hampton, Charlotte Shaw e Jessica Townsley.  Todos trabalham imenso e fazem tudo para que gostemos deles.  É uma decisão difícil num espetáculo que não consegue decidir se quer que o levemos a sério ou se apenas nos riamos das suas piadas um pouco datadas e requentadas.

Quanto à banda, Connor Fogel mantém tudo bem coeso e — é preciso dizê-lo — a sonoplastia favorece-os bastante em detrimento dos cantores, cujas vozes muitas vezes desaparecem sob a camada sonora do seu conjunto de rock.  Isto não ajuda ninguém.  O espetáculo vai ter de lutar muito para encontrar público e, sinceramente, por favor, não abafem as vozes dos cantores.  Por favor.  Dito isto, o baterista é excelente.  Só peço que o ponham atrás de uma parede de plexiglas.  Essas coisas existem por uma razão.

Em cena até 10 de dezembro de 2017

COMPRAR BILHETES PARA RASPUTIN ROCKS

Partilhe este artigo:

Receba o melhor do teatro britânico diretamente na sua caixa de entrada

Seja o primeiro a garantir os melhores ingressos, ofertas exclusivas e as últimas notícias do West End.

Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento. Política de privacidade

SIGA-NOS