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QUINTA-FEIRA DA NOSTALGIA: Karl Queensborough
Publicado em
20 de maio de 2021
Por
diadasarah
Nesta Throwback Thursday, Sarah Day conversa com Karl Queensborough enquanto ele aguarda para voltar à sala onde tudo acontece em Hamilton.
Karl Queensborough Qual foi o primeiro espetáculo que fez em criança e o que o levou a entrar no mundo do teatro?
O primeiro que me vem à cabeça foi ‘A Christmas Carol’. Fiz de ‘Bob Cratchit’ e foi aí que comecei mesmo a desfrutar do processo de representar — foram as primeiras faíscas de paixão que acabaram por moldar a carreira que eu queria seguir. Eu tinha uns 9 anos quando fiz esse espetáculo. Mas, na verdade, eu queria era fazer de Scrooge!
Parabéns por interpretar o icónico papel de Alexander Hamilton! Como é estar “na sala onde tudo acontece”?
Ainda tenho de me beliscar por poder interpretar este papel enorme. A viagem que ele faz ao longo da peça é absolutamente espetacular. Se me dissesses há uns anos que eu estaria a fazer rap em palco, com sotaque americano, para ganhar a vida, eu ia achar que havia algo de errado contigo. Para mim, é sempre a minha primeira entrada — a primeira fala é dizer o nome da minha personagem. E a reação do público faz-nos sentir que é mesmo ali que pertencemos. A energia é fantástica. Tenho saudades. Mas volto muito em breve!
Conte-nos sobre a última noite antes de a indústria parar por causa da pandemia. O que lhe passou pela cabeça e o que o entusiasma mais no regresso?
Por incrível que pareça, eu nem sequer estava no país quando tudo fechou. Estava de férias no Dubai nessa última semana de teatro. O timing foi surreal — fui para o Dubai e nunca mais voltei para fazer Hamilton! Mas na semana anterior a eu ir embora já se via cada vez mais gente com máscaras na plateia. E nós, enquanto elenco, a especular se o espetáculo iria mesmo fechar ou não. No dia a seguir a eu regressar das férias, as fronteiras fecharam no Dubai, por isso não podia ter acertado melhor no timing, mesmo que tentasse!
Karl Queensborough Qual é o seu processo para entrar na personagem num espetáculo?
A minha descoberta começa nos ensaios, a criar relações com os colegas de cena. Podemos ter uma ideia de como a personagem vai ser retratada pelos outros, mas só quando estamos na sala é que o verdadeiro trabalho começa e colaboramos com o encenador para alinhar as nossas visões da personagem/da peça. Levantar, pôr o corpo em jogo e explorar esse mundo — sou grande fã de análise de texto (Stanislavski), fazer todo esse trabalho de casa antes do primeiro dia. Às vezes fico um pouco mais depois de os ensaios terminarem para explorar também fisicamente (Michael Chekhov). Ter o texto incorporado, para não ser apenas um exercício de decorar falas, mas falar a partir de um lugar de verdade.
Porque é que o teatro é importante para si?
Porque oferece escapismo às pessoas. Pense bem: está numa sala com centenas de desconhecidos e, à medida que se deixa envolver, esquece-se deles e é puxado para dentro da história. Aqueles momentos em que se esquece de que está a ver uma representação. É uma oportunidade para amigos e famílias se juntarem e abraçarem a arte. Ser entretido, comover-se até às lágrimas, ou rir até doer a barriga.
Karl Queensborough à espera nas coxias em Hamilton A indústria do teatro tem pedido mais diversidade nos elencos, nas equipas criativas e nas equipas técnicas. O que é que isto significa para si? Sente uma mudança positiva no ambiente ou a nossa indústria ainda tem um longo caminho a percorrer?
Ainda há um longo caminho a percorrer, sem dúvida. Aquilo que vemos em palco deve representar o mundo em que vivemos. Todas as pessoas na plateia deveriam conseguir ver-se em palco — especialmente os mais jovens. Para que saibam que também é possível alcançar esses objetivos. E não é só isso: nos bastidores é preciso uma mudança enorme ao nível da diversidade. Consigo contar pelos dedos de uma mão quantas pessoas não brancas vi a trabalhar nos bastidores a fazer os espetáculos acontecerem todas as noites. E já faço isto há 13 anos. Todos precisamos de alguém em quem confiar e com quem nos possamos identificar.
Como tem mantido a criatividade durante o confinamento?
Sim, tenho mesmo tentado dar o meu melhor. O trabalho de voz-off tem sido a minha tábua de salvação este último ano. Aproveitei para atualizar o meu showreel, participar em workshops online, fazer novas fotografias, entrar em algumas curtas-metragens, escrever música e fazer networking. Mas também perceber que é importante descansar e recarregar energias.
Conte-nos uma das suas melhores/mais engraçadas memórias em palco?
Nada o prepara para fazer uma cena de Cabinet Battle em Hamilton e rasgar a entreperna do figurino porque quis ser cockney e tentar uma espécie de salto de air guitar. E não estou a falar de um rasgão pequeno — foi quase até aos joelhos (ainda bem que temos várias camadas por baixo). Tive de ficar em palco quase 20 minutos depois disso. Hamilton exige muito! Não há nada como teatro ao vivo, pois não?
Se a sua vida fosse um espetáculo, como se chamaria — e porquê?
‘Um milhão de coisas que acontecem’
(Porque sou uma pessoa muito ativa, um verdadeiro extrovertido. E é por isso que uso meditação para acalmar a mente e estar mais presente. Não me interprete mal — eu adoro a minha energia e isso é importante para um ator, mas é bom saber quando a usar a nosso favor.)
Foi um ano muito duro para os novos atores que se formaram e entraram agora na indústria. Que conselho daria a todos os recém-formados?
Que saibam que estamos todos no mesmo barco. E as pessoas da indústria também sabem pelo que passaram. Não conseguir um agente logo a seguir à escola de teatro não é, de todo, o fim do mundo. Há sempre formas de criar ligações, fazer networking e conhecer novas pessoas. E fiquem entusiasmados com a abundância de teatro, TV e cinema que vai voltar em força. Há muitas oportunidades!
Continuem a trabalhar o vosso ofício, a voz e o bem-estar físico. A formação nunca acaba — formei-me em 2015 e continuo a aprender à medida que avanço! Cuidem também da vossa saúde mental.
O musical Hamilton regressa ao Victoria Palace Theatre a 19 de agosto de 2021.
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