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RESENHA: Murder Ballad, Arts Theatre ✭✭✭✭

Publicado em

Por

alexaterry

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Murder Ballad

Arts Theatre

5 de outubro de 2016

4 estrelas

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Se alguma vez houve um par de pulmões maduros e veementes, eles encontram-se no elenco soberbo do rock musical inteiramente cantado de Julia Jordan e Juliana Nash, ‘Murder Ballad’, em que Kerry Ellis, Ramin Karimloo, Victoria Hamilton-Barritt e Norman Bowman montam um verdadeiro fogo-de-artifício vocal para contar uma história, de resto, bastante banal.

Já ouvimos isto antes: quando a sua relação tórrida e tóxica com o barman Tom (Karimloo) termina, Sara (Ellis) conhece Michael (Bowman) — o seu futuro marido e apaixonado por poesia. Depois do nascimento da filha, Frankie, Sara apercebe-se de quanto a sua vida mudou e inicia um caso com o seu antigo amor. O desejo transforma-se em obsessão e, quando Tom reivindica Sara e revela a sua infidelidade, as personagens, presas no triângulo amoroso, cantam sobre vingança. Como em qualquer mistério de homicídio, “há sempre um assassino, portanto, logicamente, alguém tem de morrer” — mas quem? (Sem spoiler — prometo!) A costurar este musical de 90 minutos está a Narradora, interpretada por Hamilton-Barritt, tão enigmática como o ‘Inspector Goole’ de J. B. Priestley; a sua voz fumada e irresistível vem carregada de atitude, acompanhada por um brilho provocador no olhar.

Apesar do libreto pouco original de Julia Jordan, a banda sonora memorável e arrojada de Juliana Nash é sedutora e pressagia a fatalidade iminente; e, para mim, a partitura ressoa muitas vezes com os sons de ‘Rent’, de Jonathan Larson, e de ‘Spring Awakening’, de Duncan Sheik. Em termos líricos, Jordan e Nash são bastante poéticos e metafóricos — consigo imaginar temas como ‘Murder Ballad’, ‘Troubled Minds/Promises’ e ‘Mouth Tattoo’ a tocar numa sala ao fundo de um bar decadente em Nova Iorque, com um cenário de fumo de cigarro, cerveja entornada e más decisões. É, porém, quando as quatro personagens se juntam para cantar ‘You Belong to Me’ que o prato principal é realmente servido: o country rock de Bowman e o tom clássico de Karimloo misturam-se com o timbre rouco de Hamilton-Barritt e a voz impecável, cheia e poderosa de Ellis, tudo regado com harmonias marcantes tão deliciosas que até dava para as lamber do prato.

Carregado de desejo e sexo, ‘Murder Ballad’ oferece um Ramin Karimloo em tronco nu e convida Kerry Ellis a revelar a sua lingerie preta e insinuante, entre momentos de sugestão e simulação sexual. Ainda assim, o espetáculo é dirigido com bom gosto e intenção por Sam Yates, apesar de alguns trechos mais desajeitados — mas isso não será muitas vezes a realidade? Yates retira o romance à Hollywood e substitui-o por uma verdade mais humana, o que torna as cenas mais reais e (perdoe-se o trocadilho) mais despidas. A elegante projeção multimédia de Laura Perrett, mostrada a preto e branco nos ecrãs ao fundo do cenário, satisfaz a estética gráfica do século XXI, mas também reforça a atmosfera sombria, com um toque à Chicago.

Não é a ideia mais inovadora para uma história e talvez a duração do musical não nos dê muito tempo para criarmos laços com as personagens ao ponto de nos importarmos com o seu destino. No entanto, para mim, ‘Murder Ballad’ é sobretudo a partitura eletrizante, que não depende do tenor aos gritos, mas sim do baixo sensual e de uma mistura de jazz/pop carregado de erotismo, com belts de rock que matam a sede (e que, claro, são muito bem-vindos). Com a sua música e letras, Jordan e Nash sacodem o pó da lombada de um conto já contado.

Acho que acabei de encontrar a minha nova banda sonora para viagens de carro.

RESERVAR BILHETES PARA MURDER BALLAD NO ARTS THEATRE Crédito da foto: Marc Brenner

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