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CRÍTICA: The End Of Longing, Playhouse Theatre ✭✭✭

Publicado em

12 de fevereiro de 2016

Por

danielcolemancooke

Matthew Perry e Lloyd Owen em The End Of Longing. Foto: Helen Maybanks The End of Longing

Playhouse Theatre

3 Estrelas

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Imagine um episódio de Friends. Só que agora todos estão nos 30 e 40 anos, e são atormentados pelos seus vícios e neuroses (insira aqui uma piada sobre a próxima reunião de Friends).

Essa é a premissa base de The End of Longing; uma história de amadurecimento para quem já passou da idade. E, para completar, a sua estrela e autor é Matthew Perry, mais conhecido por interpretar o sarcástico Chandler Bing na muito acarinhada sitcom americana.

A peça acompanha quatro solteiros sem rumo na cidade, enquanto tentam dar sentido às suas escolhas de vida duvidosas e aos relógios biológicos a correr. Há Jack (um alcoólico, interpretado por Perry), Stephanie (uma prostituta), Stevie (carente e neurótica) e Joseph (simpático, mas pouco esperto).

Christina Cole, Lloyd Owen, Matthew Perry e Jennifer Mudge em The End Of Longing. Foto: Helen Maybanks

Naturalmente, por se tratar de uma comédia romântica, acabam todos por se encontrar de forma improvável e começam então a formar pares. Jack e Stephanie têm dificuldade em aceitar os defeitos um do outro, enquanto Stevie e Joseph acabam numa relação que, de início, nasce mais do desespero do que de um verdadeiro afeto. Uma gravidez não planeada lança o grupo no caos e leva-os a repensar prioridades e a necessidade — por vezes — de mudar.

Esta produção marca a estreia de Perry como dramaturgo e, certamente, não é um desastre; já vi tentativas bem piores de autores consagrados. Há diálogos afiados e momentos genuinamente hilariantes, sobretudo quando ditos com o tom mordaz de Perry.

No entanto, muitas vezes ficamos a pensar se o mundo precisa de mais uma comédia romântica de grande cidade; por vezes, o diálogo soa demasiado familiar, e os últimos dez minutos da primeira parte caem a pés juntos no cliché. A introdução da peça, com as personagens a avançarem para se apresentarem, pareceu preguiçosa e deu a sensação de servir de substituto para construir verdadeira profundidade emocional e caracterização.

Grande parte desta primeira parte aposta no riso, até aos últimos minutos, quando dá um salto brusco para uma tensão dramática bastante intensa. Nesta fase, as personagens parecem tão egocêntricas e unidimensionais que é difícil importar-nos com o que lhes acontece. A segunda parte soa muito mais realista e equilibrada, com comédia e tragédia a entrelaçarem-se de forma bem mais fluida.

Quanto à escrita de Perry, ainda não há veredicto; mas ele atuou bem num papel e numa produção que, claramente, tinham ressonância emocional para si. As suas lutas com a dependência são bem conhecidas, e ele canaliza essas experiências para interpretar o alcoólico egoísta e autodestrutivo Jack.

Perry brilha com as muitas tiradas e réplicas rápidas da sua personagem; é um terreno familiar, depois de mais de uma década a servi-las a milhões na televisão. Jack não se deixa levar facilmente pela emoção, mas Perry, em geral, lida com as cenas mais exigentes com subtileza — ainda que tenha de competir com o seu próprio diálogo algo açucarado.

Jennifer Mudge e Matthew Perry em The End Of Longing. Foto: Helen Maybanks

Jennifer Mudge é apropriadamente luminosa e descontraída como a escort dividida Stephanie, surgindo como determinada e, ao mesmo tempo, vulnerável. Christina Cole é deliciosamente irritante como a nervosa Stevie, embora pareça muito mais nova do que os 37 anos da personagem.

A interpretação mais interessante veio do soberbo Lloyd Owen como o adorável pateta Joseph. Ao início, parecia que a personagem seria um palhaço de uma só nota, mas acabou por se revelar bastante complexa — e a pessoa mais sensata do grupo. Um Falstaff de Manhattan, talvez!

A peça está dividida numa série de vinhetas autónomas, valorizadas pelo magnífico cenário de Anna Fleischle. É uma combinação fluida de ecrãs e projeções que junta intimidade a uma sensação de presságio perante um mundo exterior assustador.

O cenário em movimento constante, aliado à música empolgante de Isobel Waller-Bridge, torna as mudanças de cena estranhamente prazerosas, embora a frequência delas por vezes pareça disruptiva. De forma bizarra, há um responsável por cenas de luta creditado no programa, apesar de não haver nada que se aproxime de uma zaragata em palco; quem sabe que tipo de ultra-violência terá sido cortada à última hora?!

Embora garantisse trazer boas plateias, encomendar um texto a um autor famoso mas ainda não testado foi um grande risco criativo para o Playhouse Theatre. É um trabalho meritório de Perry, mas não creio que, daqui a uns meses, alguém vá ficar com saudades de The End of Longing.

The End Of Longing esteve em cena no Playhouse Theatre até 14 de maio de 2016. Reserve já.

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