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QUINTA-FEIRA RETRÔ: Jack Archer
Publicado em
11 de novembro de 2020
Por
diadasarah
Esta semana, no Throwback Thursday, falamos com Jack Archer, que está prestes a aparecer na produção transmitida em streaming da Original Theatre Company de The Haunting Of Alice Bowles.
1) Qual foi o primeiro espetáculo que fizeste em criança e o que é que te levou ao mundo do teatro?
O primeiro espetáculo de que me lembro mesmo foi A Midsummer Night’s Dream, em que fiz de Puck. Foi uma produção ao ar livre, em que o público levava piqueniques, e eu podia correr descalço, roubava-lhes a comida e, no geral, fazia asneiras. Não tenho a certeza de ter percebido metade do que dizia, mas diverti-me imenso!
2) As coisas mudaram muito para toda a gente na área. Fala-nos do teu processo de audição e ensaios para 'The Haunting of Alice Bowles'. Sim, tem sido um período imensamente stressante para todos, mas é mesmo encorajador ver como a indústria reagiu apesar de tudo. A Original Theatre Company é um exemplo incrível disso — tiveram dois espetáculos cancelados por causa do primeiro confinamento — mas não perderam o ritmo com uma versão online de Birdsong e, desde então, continuaram a criar mais peças digitais brilhantes. The Haunting of Alice Bowles é o quarto espetáculo online deles neste formato e, por isso, para mim o processo tem sido, na verdade, bastante tranquilo. Fiz a audição com um self-tape depois de ler o texto do Philip e, tirando algumas reuniões presenciais com distanciamento social antes do confinamento, todos os ensaios e sessões técnicas têm acontecido a partir de casa, via Zoom.
3) Que dificuldades tens enfrentado a trabalhar online e como as ultrapassaste?
É um feito absoluto conseguir que toda a gente esteja alinhada, porque somos todos, essencialmente, equipas de uma só pessoa — e há muita tecnologia envolvida: ecrãs verdes, iluminação, microfones, etc. Pode ser desafiante porque há alturas em que uma boa tomada não dá para usar, porque eu posso não me ter enquadrado bem ou porque temos problemas com a ligação da videochamada. Também tivemos de ser muito criativos para conseguir planos que, à partida, parecem impossíveis sem outra pessoa a segurar a câmara — mas acabamos sempre por encontrar uma solução, e é muito satisfatório fazer parte de tantos aspetos do processo de filmagem e ver resultados tão bons.
4) Como tens mantido a criatividade e o foco ao longo desta pandemia?
Tem sido, sem dúvida, difícil. Há muita pressão quando tens tanto tempo disponível para seres criativo, mas nem sempre tens motivação ou inspiração — e isso pode levar a uma sensação de culpa bastante forte. Mas acho que, com o tempo, melhorou bastante, e aprender a gerir-me e a concentrar-me quando o trabalho de interpretação não está facilmente disponível ajudou muito. Por outro lado, vi mais coisas, li mais, e assistimos a um impulso tão importante por mudança social e igualdade real que é reconfortante sentir que este período não foi “desperdiçado”.
5) Ouvimos dizer que também tens trabalhado como regular na nova série de The Bay, da ITV. Em que é que trabalhar para ecrã difere do teatro, e tens alguma preferência?
Os processos são diferentes, mas acho que, quando chega ao momento da interpretação em si, é a mesma coisa — só com volumes diferentes. Adoro a intimidade com outros atores que a interpretação para ecrã permite; nem sempre se ensaiam cenas, o que pode assustar, mas a espontaneidade traz coisas muito excitantes. Além disso, é ótimo viajar para filmar em exteriores. Quanto ao teatro, acho que nada bate aquela energia ao vivo: o jogo com os colegas de elenco à frente de um público e acompanhar a história da tua personagem do início ao fim. The Haunting of Alice Bowles tem sido uma experiência muito interessante porque é invulgar na forma como mistura as duas coisas. Não é ao vivo, mas há algo nas limitações de criar o mundo a partir de casa que te obriga a usar a imaginação da mesma maneira que em palco.
6) Conta-nos uma das tuas melhores/mais engraçadas memórias em palco.
Eu estava numa produção escolar de The Secret Diary of Adrian Mole e tinha uma cena perto do fim com a Pandora, a rapariga por quem o Adrian se apaixona. Havia uma cena em que eu entrava no quarto dela e ela juntava-se a mim, mas ela não encontrava a mudança de figurino ou algo do género, e acabei por ficar em palco cerca de 4 minutos completamente sozinho (o que pareceu uma eternidade). Lembro-me de os meus “PANDORA?!” ficarem progressivamente mais desesperados e, no fim, limitei-me a sentar-me e a declamar um poema em voz alta!
7) Que três coisas podemos sempre encontrar no teu camarim? Tipo amuletos da sorte… coisas que te ajudam em palco… m&ms azuis…
Auscultadores, Coke Zero e Squashies (maçã azeda).
8) Qual é a tua peça favorita que leste recentemente?
Recentemente voltei a ler I will still be whole (when you rip me in half), de Ava Wong Davies, em que a minha amiga Aoife entrou no ano passado no The Bunker Theatre. É uma peça lindíssima sobre uma mãe e uma filha afastadas, contada através de monólogos e a culminar numa cena em que finalmente se reencontram. (A produção que vi também foi fantástica.)
9) Se a tua vida fosse uma peça, como se chamaria e porquê?
The Imp. Não posso dizer porquê.
10) Que conselho darias a todos os recém-formados — tanto os de 2020 como os que terminam em 2021?
Estão a entrar na indústria numa altura tão difícil, e eu sinto mesmo por eles, com as dificuldades extra com que todos têm de lidar numa área que já é, por si só, uma subida íngreme. Acho que o melhor conselho que já recebi é: fica no teu caminho — tenta não te deixares distrair por como as pessoas à tua volta estão a correr — todos temos altos e baixos nesta carreira em momentos diferentes. Por muito que a competência e o trabalho duro façam diferença, também há uma enorme dose de sorte envolvida, e isso chega em alturas diferentes para cada pessoa. Rodeia-te de bons amigos e tenta mesmo explorar outros hobbies e interesses, porque é fácil ficar obcecado quando não há distrações (pelo menos comigo é assim!).
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