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QUINTA-FEIRA NOSTÁLGICA: Paul Wilkins - ator e produtor
Publicado em
29 de outubro de 2020
Por
diadasarah
Esta semana falamos com o ator e agora produtor Paul Wilkins sobre como sobreviveu à pandemia e sobre a sua produtora, a Opportune Theatre, que vai levar Baaa Humbug - Stocking Full Of Showtunes a Londres neste Natal.
Paul Wilkins como Marius em Les Misérables 1) Qual foi o primeiro espetáculo que fizeste em criança e o que foi que te levou ao mundo do teatro?
O meu primeiro espetáculo foi Joseph and The Amazing Technicolor Dreamcoat. Adorei o espetáculo. Fiz de Faraó... e ainda consegui, de alguma forma, enfiar lá um solo de saxofone.
2) As coisas mudaram imenso para toda a gente na indústria. Fala-nos da tua nova aventura com a ‘Opportune’.
No início de 2020, disse a mim próprio que este seria o ano de assumir o controlo e de criar oportunidades — e a Opportune Theatre surgiu como resultado da pandemia de Covid-19. Queria encontrar uma forma de fazer teatro funcionar com a lotação reduzida permitida. A minha determinação (ou teimosia) levou-me à raiz do problema, que eu acreditava ser o espaço teatral. Como o governo impôs restrições apertadas às atuações em recintos fechados, senti que o lugar mais provável para o teatro acontecer seria ao ar livre. Foi aí que comecei a concentrar os meus esforços e a construir um plano de ação.
Acabei por chegar a um ponto em que tinha orçamentado por completo uma temporada de uma semana com vários espetáculos muito aclamados (uma espécie de festival), reuni uma equipa técnica incrível e consegui criar um plano de lugares muito preciso, juntamente com uma montagem técnica completa de som e luz. O ponto alto deste trabalho foi encontrar uma tenda Stretch de 315 m² que tornaria o evento adequado para todos os tipos de tempo (para não falar que fica impressionante).
A Opportune Theatre nasceu de criar oportunidades no momento certo.
3) Quais foram algumas das dificuldades que enfrentaste ao criar a Opportune e como as superaste?
Honestamente, as finanças. Houve uma altura em que estive disposto a recorrer a um empréstimo empresarial para dar o pontapé de saída à minha empresa, mas com estes tempos em constante mudança (e sem qualquer certeza de quando voltará a haver trabalho de ator), tive de pôr em pausa quaisquer grandes avanços do projeto enquanto atravessamos este período complicado.
Paul Wilkins em Hair 4) És uma grande inspiração para quem está a ser criativo nesta pandemia. Onde gostarias de ver a Opportune chegar no futuro? Gostaria de ver a Opportune Theatre montada no jardim traseiro de uma casa senhorial, oferecendo uma mistura eclética de teatro, comédia, nova dramaturgia, musicais e uma seleção muito diversa de produções. 5) Fizeste parte de produções incríveis como ator. Qual é o teu processo todas as noites para entrares na personagem antes de um espetáculo?
Tenho de fazer as coisas à volta da atuação de uma forma específica para conseguir brincar e jogar o máximo possível em palco. Isso significa manter-me consciente e aceitar quaisquer emoções que eu possa ter antes de entrar, colocando-as de lado para viver o momento em cena o mais possível. Deixo que o guarda-roupa, a música e o cenário me influenciem antes de atuar e, sobretudo, permito-me respirar ao ritmo a que a minha personagem respiraria. Estar focado e preparado é fundamental.
6) Conta-nos uma das tuas melhores/mais engraçadas memórias em palco?
Uma das minhas melhores memórias em palco foi atuar com a BBC Concert Orchestra na BBC Radio 2, no Friday Night is Music Night. Eu era o penúltimo na ordem, a cantar a canção-título de Sunset Boulevard no Mermaid Theatre, em Londres. Estava a morrer de medo! Não só por causa do nervosismo de cantar ao vivo E de estar a ser gravado para a rádio... como o letrista de Sunset Boulevard, Don Black, por acaso estava a apresentar a noite. A canção correu bem e fiquei mesmo feliz com a forma como tinha corrido... só desejava que a minha mãe e o meu pai pudessem ter estado lá. E não é que, no fim da atuação, duas pessoas na plateia, do lado direito do palco, baixaram os programas... e eram a minha mãe e o meu pai, que tinham conseguido bilhetes e, afinal, tinham vindo ver-me. A experiência toda foi surreal e nunca, nunca a vou esquecer.
7) Que três coisas podemos sempre encontrar no teu camarim? Por exemplo: amuletos da sorte... coisas que te ajudam em palco... M&Ms azuis...
Um individual que comprei em Manila, nas Filipinas, para o meu primeiro papel principal como Marius. Traz-me a mesma excitação que senti naquela altura e ajuda-me a valorizar sempre o trabalho que estou a fazer.
8) Qual é o teu álbum de elenco preferido para ouvir neste momento?
Tenho sido bastante péssimo a manter-me a par dos álbuns de elenco... ainda ouço Hamilton em repetição.
9) Se a tua vida fosse um musical, como se chamaria e porquê?
Wingin' it - The Musical.... dispensa explicações, acho eu. HA!
10) Que conselho darias a todos os recém-formados — tanto os de 2020 como os que se formam em 2021?
Tenham fé que a nossa indústria vai recuperar e que sairemos mais fortes. Quando isso acontecer, tentem valorizar a nossa área a um nível totalmente novo. Tentem reconhecer o esforço que é necessário para pôr produções de pé e a dedicação total que isso exige. Como ator e atriz, são, claro, uma peça essencial do puzzle... mas compreender o papel de toda a gente é ainda mais importante e vai ajudar-vos a dar valor ao que temos a longo prazo.
Lembrem-se: Somos viáveis.
Leia sobre a produção da Opportune Theatre de Baaa Humbug - A Stocking Full Of Showtunes
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