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QUINTA-FEIRA NOSTÁLGICA: Nigel Richards
Publicado em
2 de dezembro de 2020
Por
diadasarah
Esta semana, no Throwback Thursday, Nigel Richards conversa com Sarah Day sobre a sua carreira no teatro musical.
1) Qual foi o primeiro espetáculo que fizeste em criança e o que foi que te levou ao mundo do teatro?
De forma algo embaraçosa, quando tinha 6 anos costumava montar espetáculos com a minha irmã mais velha e obrigava a família a ver-me cantar ‘Chim Chim Cheree’. Mais tarde, só queria ser o ‘Milky Bar Kid’, se é que alguém ainda se lembra desse anúncio.
2) Qual é o teu processo todas as noites para entrares em personagem num espetáculo?
Depende muito do “gatilho” que encontrei nos ensaios: com o Phantom, era a respiração dele — baixa, silenciosa, aquela respiração de predador; com o Eddy em Blood Brothers, era o saltitar inocente do andar; com Floyd Collins, era um exercício de abrir o peito que me ajudava a tornar-me este agricultor americano. Às vezes encontro uma obra de arte que me inspira. Para o Senador em Hello Again, foi o quadro mais solitário do Hopper.
3) Como é que tens mantido a criatividade durante o confinamento? Eu diversifiquei há anos e dou aulas e faço encenação pelo mundo fora?
Tenho feito imensas sessões no Zoom! Tantas palavras novas (ou novos sentidos) no dicionário, como ‘confinamento’ e ‘corona’, e ainda bem que ‘zoom’ é uma delas. Estou a escrever o meu livro sobre interpretação no teatro musical e a ler cerca de dois livros por semana — tanto para pesquisa como por prazer. A meditação salvou-me. E finalmente comprei uma bicicleta.
4) És também diretor artístico de uma produtora, a Shepperton Media. Conta-nos como te envolveste na criação de novos filmes e musicais e em que projetos estás a trabalhar agora.
Isto é a prova do Karma. A minha camareira de quando eu estava em Les Misérables, em 1991, entrou em contacto comigo. Entretanto, ela tinha ido trabalhar para a BAFTA, criou uma produtora e precisava de um Diretor Artístico. Vamos entrar na Bolsa de Londres no início do próximo ano. Temos três novos musicais em desenvolvimento: um é uma comédia desenfreada, um cruzamento entre RuPaul’s Drag Race e Austin Powers; os outros dois são musicais extraordinários e “sérios” sobre a natureza da Verdade, da Bondade e, sim, do Karma. Também estou a produzir o meu primeiro filme, com Shirley Henderson no elenco.
5) Porque é que o teatro ao vivo é importante para ti e o que é que mais esperas (dedos cruzados) com o seu regresso no próximo ano?
Há uma magia inegável no Teatro. Não é um lugar físico — quero dizer: se todos os teatros ardessem até ao chão, o teatro continuaria a existir sempre que nos dividimos entre contador de histórias e público. No entanto, o Teatro é mais poderoso quando muitos se juntam num espaço dedicado, para pertencerem, em conjunto, a um acontecimento, para sabermos que rimos e choramos como um só. Por mais antissociais que possamos sentir-nos quando alguém não usa máscara, somos uma espécie social. Precisamos de saber que não estamos sozinhos. Todas as nossas grandes personagens do teatro musical querem pertencer ou encontrar o seu eu autêntico: Elphaba, Mulan e Simba, até ao Fantasma. Acho que é por isso que as personagens do teatro musical são tão fortes. No próximo ano vou estar em digressão numa grande reposição, por isso tenho sorte — tenho trabalho pelo qual ansiar.
6) Qual é uma das tuas melhores/mais engraçadas memórias em palco?
Ter-me esquecido completamente da letra em Martin Guerre foi engraçado… DEPOIS de acontecer. Ah, e aquela vez em que eu estava a dar uma tareia à Ruthie Henshall como o dândi em Les Misérables — eu tinha estado duas semanas de férias (num retiro com índios nativo-americanos) e voltei sem me lembrar de uma única palavra. A Ruthie só olhava para mim, a tentar não se rir, enquanto eu debitava uma data de disparates!
7) Que três coisas podemos sempre encontrar no teu camarim?
Ou seja, amuletos da sorte… coisas que te ajudam em palco… m&ms azuis… Tenho um poema lindíssimo do falecido Steven Clarke, que escreveu as letras de Martin Guerre, The Artist’s Way da Julia Cameron e uma fotografia do meu pai no seu último aniversário.
8) Qual é o teu álbum de elenco (cast album) favorito para ouvir neste momento?
Warpaint — é uma obra-prima. E também Far from Heaven — ambos com partituras Frankel/Korie. Génios!
9) Se a tua vida fosse um musical, como se chamaria e porquê?
Pergunta difícil!! ‘Now and Them’, porque foram as pessoas que me fizeram ser quem sou.
10) Que conselho darias a todos os recém-formados — tanto os de 2020 como os que se formam em 2021?
Aguentem firme! Sempre que houve um período em que fomos obrigados a recolher, tanto fisicamente como criativamente — em tempos de guerra e sofrimento — isso foi seguido por uma explosão de ideias: novas formas de pensar nas Artes, nas Ciências e na nossa sociedade. Depois da gripe espanhola de 1919, os anos vinte foram uma explosão de Jazz, das Artes, de exploração, destemor e invenção. Vai haver outra explosão de novo teatro, nova arte, nova música. Estejam apenas prontos.
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