NOTÍCIAS
CRÍTICA: Dry Powder, Hampstead Theatre ✭✭
Publicado em
Por
pauldavies
Partilhar
Hayley Atwell (Jenny) e Tom Riley (Seth) em Dry Powder no Hampstead Theatre. Foto: Alastair Muir Dry Powder Hampstead Theatre
1 de fevereiro de 2018
2 Estrelas
A peça de Sarah Burgess apresenta-nos um mundo que muitos de nós conhecem pouco — mas talvez devêssemos conhecer melhor. “Dry powder” é o capital que fica por investir num fundo de private equity e, nesta comédia financeira passada em Nova Iorque, a acção decorre numa empresa de financiadores que usa o dinheiro dos outros para comprar participações em negócios e, como resultado, fazer muito “dry powder”: muito dinheiro. Para quem, como eu, não tem grande queda para números, o programa traz um glossário útil que explica os termos que Burgess dispara logo no início. Infelizmente, do ponto de vista dramático, a “dry powder” nunca chega a incendiar-se — e esta acaba por ser uma noite bastante seca no teatro.
O elenco é polido e imperturbável, tal como o cenário de Andrew D Edwards. A acção gira em torno de saber se a firma, liderada por Rick, deve adquirir uma pequena empresa de malas chamada Landmark. Os seus dois sócios — cuja função é, na prática, defender pontos de vista opostos — discutem o melhor caminho a seguir: Seth quer ajudar a Landmark a crescer; Jenny quer desmantelá-la, despedir a força de trabalho e subcontratar na China. Como Rick tem tido má imprensa ultimamente, por causa de uma luxuosa festa de noivado com um elefante ao vivo organizada no mesmo dia de despedimentos em massa numa empresa que compraram, ele parece inclinar-se para o lado de Jenny. Toda a peça, com 1 hora e 40 minutos, concentra-se neste único confronto, e a encenação de Anna Ledwich tem pouca potência e parece durar muito mais — além de o elefante na sala do noivado ser mencionado vezes demais.
Hayley Atwell (Jenny), Tom Riley (Seth) e Aidan McArdle (Rick) em Dry Powder. Foto: Alastair Muir
Há muitos bons momentos. O duelo verbal entre Jenny (Hayley Atwell, com um excelente sentido de timing cómico) e Seth (Tom Riley) é divertido e dá gosto acompanhar; Riley, em particular, é muito engraçado na forma como olha para os gestores intermédios. O problema é que o dilema moral no coração da peça é visto apenas através destes personagens globalmente pouco simpáticos. Rick (Aiden McArdle) recebe pouco da dramaturga para explorar. Continuo sem perceber por que razão Rick se sente desconfortável com a ideia de esvaziar a empresa dos seus activos, sobretudo quando muda muito depressa para o lado de Jenny no final. O mal-estar da situação é representado por Jeff (Joseph Balderrama), patrão da Landmark, que acaba por aceitar o dinheiro em detrimento dos seus trabalhadores. Por muito que discutam, vê-se o desfecho a milhas, e nunca ouvimos os “pequenos”, os trabalhadores que são tramados por negócios destes. A raiva é a grande ausência neste texto.
Num mês em que o teatro londrino oferece reinterpretações radicais de Shakespeare, boas encenações de clássicos e um dramaturgo vencedor do Prémio Pulitzer no National, esta produção parece um pouco datada e demasiado segura. Por mais agradável que seja ver o elenco, Dry Powder acaba por ser um balão que não enche.
RESERVE BILHETES PARA DRY POWDER
Partilhe este artigo:
Receba o melhor do teatro britânico diretamente na sua caixa de entrada
Seja o primeiro a garantir os melhores ingressos, ofertas exclusivas e as últimas notícias do West End.
Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento. Política de privacidade