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CRÍTICA: Leader Of The Pack, Waterloo East Theatre ✭✭✭
Publicado em
15 de outubro de 2015
Por
douglasmayo
Matthew Quinn e Abi Finley em Leader Of The Pack. Leader Of The Pack
Waterloo East Theatre
13 de outubro de 2015
3 Estrelas
Leader Of The Pack – The Ellie Greenwich Musical é, como o título sugere, um musical jukebox baseado na carreira musical da prolífica compositora pop Ellie Greenwich. A história decorre desde 1959, quando ela conhece pela primeira vez Jeff Barry — o homem que viria a ser o seu marido e parceiro de escrita — e segue vários anos depois, até à dissolução do casamento em 1991.
A história de Greenwich é notável, tendo em conta que co-escreveu os êxitos de uma geração, incluindo a canção-título do espetáculo, “Leader Of The Pack”, “Be My Baby”, “Baby - I Love You”, “Then He Kissed Me”, “Da Doo Ron Ron”, “Christmas (Baby Please Come Home)”, “Do Wah Diddy Diddy”, “Maybe I Know”, “Look Of Love”, “Chapel Of Love”, “I Can Hear Music” e “River Deep–Mountain High”.
Muito antes de Beautiful – The Carole King Musical aparecer, Leader Of The Pack foi produzido pela primeira vez no Bottom Line, em Greenwich Village, e provou ser tão popular que, desde então, tem sido apresentado por grupos de teatro em todo o mundo.
Adotando uma fórmula simples que coloca as canções relevantes numa linha temporal associada à vida de Greenwich, Leader Of The Pack transforma-se muito rapidamente num musical “canção – cena – canção” bastante formulaico.
Sophia Mackay (Darlene), Lottie-Daisy Francis (Ronnie) e Melissa Park (Barbara) carregam grande parte da música no primeiro ato. Eu não tinha percebido que Spector andava constantemente a formar novos grupos, à medida que membros de outros iam ficando pelo caminho. Este trio talentoso manteve-me a bater o pé enquanto debitava êxito atrás de êxito.
Lottie-Daisy Francis, Melissa Park e Sophia Mackay em Leader Of The Pack.
Perry Meadowcraft trouxe um toque da mania que era Phil Spector para o papel de O Produtor. Spector foi uma parte enorme do sucesso de Greenwich e Barry, sendo um dos pioneiros do som das girl groups dos anos 60. Meadowcraft também toca bateria na maioria das seleções musicais do espetáculo e prova ser uma peça essencial deste elenco. A sua breve cena mais para a frente com Barry foi comovente — mas demasiado curta.
John Sandberg assume o pequeno mas importante papel de Jerry Leiber, do célebre duo de composição Leiber e Stoller. Foi Leiber quem deu a Greenwich o seu primeiro trabalho no Brill Building, depois de a ter confundido com Carole King. A relação entre ambos evoluiu para uma parceria de produção e edição muito mais ampla, com Barry e Greenwich. Sandberg oferece uma interpretação sólida, que ajuda a ancorar o conflito central entre Greenwich e Barry.
Emma Fraser proporciona alguns ótimos momentos cómicos como Nancy, a rececionista do Brill Building, que ajudam a manter em andamento algumas das transições do espetáculo.
Abi Finley e Perry Meadowcroft em Leader Of The Pack.
Matthew Quinn interpreta Jeff Barry, parceiro de escrita e marido de Ellie Greenwich. As primeiras cenas de Quinn com Abi Finley, como Ellie Greenwich, são um prazer de ver. Há humor e uma química genuína entre os dois. No segundo ato, Quinn fica com pouco apoio do libreto, mas, ainda assim, faz um esforço de primeira para sustentar uma personagem credível colocada numa situação difícil.
Abi Finley é uma Ellie Greenwich sensacional. Capta na perfeição uma mulher cuja produção artística se encaixava de forma exemplar nas exigências do público pop da época. Há momentos excelentes, sobretudo os com Leiber, que permitem a Finley mostrar nuances e contrastes numa personagem que podia facilmente tornar-se muito superficial. É uma interpretação com calor humano, profundidade e alma.
Onde Leader Of The Pack falha é nas cenas de texto do libreto. Para lá das mudanças algo desajeitadas entre canções e cenas, a relação entre Greenwich e Barry podia estar melhor escrita, para que o afastamento de Barry tivesse mais credibilidade dramática. Como está, o público assiste ao colapso de um casamento sem grande explicação do porquê. O desejo de Barry de ter uma família é repetidamente martelado como causa, mas não parece explicar por completo o que se passa em palco.
Espetáculos de ator/músico são uma espécie complicada e, na maior parte do tempo, Leader Of The Pack consegue juntar a magia para oferecer pouco mais de duas horas de êxitos sem parar, culminando numa versão sensacional de “River Deep–Mountain High” com todo o elenco. Com uma banda mais reduzida, o espetáculo funciona muito bem, mas não pude deixar de imaginar como teria sido se a Wall of Sound de Spector estivesse em ação em alguns dos números.
Leader Of The Pack é uma excelente noite de entretenimento. Eu, pelo menos, fui para casa a caminho de voltar a ouvir alguns desses álbuns clássicos, agora sabendo qual o elo comum entre eles — a extraordinária Ellie Greenwich.
Leader Of The Pack está em cena no Waterloo East Theatre até 31 de outubro de 2015
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