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NOTÍCIAS

CRÍTICA: Leslie Uggams, 54 Below ✭✭✭✭✭

Publicado em

Por

rayrackham

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Ray Rackham analisa Leslie Uggams em Something Old, Something New, Something Borrowed, Something Blue no 54 Below, Nova Iorque.

Leslie Uggams

Something Old, Something New, Something Borrowed, Something Blue

54 Below, Nova Iorque

5 Estrelas

Website do 54 Below

Quando a Dionne Warwick lhe telefona e lhe dá as boas-vindas ao clube dos octogenários, sabe que é alguém muito especial — e a mais recente passagem de Leslie Uggams pelo 54 Below (a joia da coroa dos supper clubs de Nova Iorque) volta a provar que, já na sua sétima década a encantar plateias, ela foi de facto sempre especial. Quase uma década depois das suas primeiras atuações no 54 Below, Leslie ofereceu novamente uma noite deliciosamente atrevida, carregada de emoção e deliciosamente divertida, dedicada ao Great American Songbook, a standards de jazz e a novas leituras de material bem conhecido — deixando o público a aplaudir e a gritar “Hallelujah, Baby!” uma e outra vez.

Se não sabe quem é a Sra. Uggams, então onde tem estado? Mas, se está um pouco menos por dentro (o que lhe perdoamos, só desta vez), Leslie é a aclamada atriz da Broadway, vencedora de prémios Tony e Emmy, talvez mais conhecida pela sua interpretação de Kizzy na — agora lendária — minissérie televisiva “Roots” e, mais recentemente, como Blind Al, a avó durona e companheira de casa armada até aos dentes de Ryan Reynolds em “Deadpool”. Começando uma carreira de décadas aos nove anos no célebre Apollo Theater, em Nova Iorque, e tendo aparecido mais recentemente no City Center em “Jelly’s Last Jam”, a Sra. Uggams tornou-se um ícone gay em todo o mundo quando foi convidada a interpretar o clássico “June is Bustin’ Out All Over” (de “Carousel”), improvisando ainda várias letras (numa atuação que tem de ser vista para se acreditar — e cuja história e contexto a própria Sra. Uggams esclarece durante este espetáculo).

Dizer que a Sra. Uggams já fez de tudo é pouco, e no 54 Below é-lhe dada a liberdade criativa — e um público caloroso e entusiasta — para explorar a sua fascinante, multifacetada e variadíssima carreira, e depois casar essa viagem com uma seleção de canções que não pára de surpreender. Isto é cabaret no seu melhor e, quando a Sra. Uggams exclama “o tempo está a voar”, toda a sala só quer engarrafar o tempo e ficar com ela para sempre. Contadora de histórias incansável e exímia (dizendo sempre tudo exatamente como foi, como é e como sempre será), é impossível não querer saber mais a cada episódio: desde um jovem Lennon & McCartney convencidos de que ela era a cara chapada de Shirley Bassey (que, naturalmente, se tornou uma grande amiga ao longo dos anos, embora Leslie na altura nem soubesse quem ela era), até Steve Lawrence e Eydie Gorme a tratarem-na como uma filha nos tempos da “tap school”; a Sra. Uggams é um compêndio vivo de tudo o que havia de perfeito na indústria do entretenimento — e talvez até a maior esperança de que as coisas ainda possam ser perfeitas, nem que seja por pouco mais de uma hora, numa cave de um supper club na 54th Street. Não há name-dropping, mas há celebração de cada nome: de Louis Armstrong a Ella Fitzgerald, de Dinah Washington em diante, a Sra. Uggams esteve lado a lado com os maiores artistas de todos os tempos e, com toda a justiça, merece a adoração que recebe do seu público encantado.

Quando a Sra. Uggams canta, estamos na presença de verdadeira grandeza. Acompanhada pelo trio espetacular de Don Rebic (direção musical/piano), George Farmer (baixo) e Buddy Williams (bateria), o teto é constantemente levantado por uma alquimia mágica entre cantora e música que raramente se vê na Broadway — ou em qualquer outro lugar, já agora. Por momentos, quase se acredita que uma orquestra inteira está escondida atrás do bar, ou algures na cozinha (mérito também para a equipa do 54 Below pelo melhor desenho de som da cidade). E as canções? Interpretações de partir o coração de “My Own Morning” (do seu êxito de 1967 “Hallelujah Baby”) e “Yesterday” dividem a noite com versões incendiárias de “Something’s Coming” e “Don’t Rain on My Parade”; a nitidez absoluta de “Hello Young Lovers” e o conselho sábio de “Being Good Isn’t Good Enough” convivem felizes com a potência vocal de “If He Walked Into My Life”. As novas interpretações de temas consagrados funcionam tão bem porque a Sra. Uggams é a intérprete consumada deste cancioneiro universal e, quando Leslie convidou a filha, Danielle Chambers, a subir ao palco para cantar a versão mais funky de “Put A Little Love in Your Heart”, de Jackie DeShannon, tivemos um vislumbre da diva fora do foco — uma mãe orgulhosíssima a celebrar tudo o que existe no amor, na vida e na alegria de estar viva. Triunfante sem cair na sentimentalidade, a Sra. Uggams transcende qualquer comentário cliché sobre “longevidade” simplesmente por estar no agora — e por amar cada minuto disso.

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