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A jornada de Audra McDonald até Lady Day em Londres
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markludmon
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Mark Ludmon conversa com Audra McDonald sobre a sua “longa viagem” até interpretar Billie Holiday em palco
Apaixonei-me pela voz de Audra McDonald quando a vi pela primeira vez, em 1999, a atuar no âmbito da temporada Divas at the Donmar. A combinar um soprano cristalino com uma intensidade emocional arrebatadora, já era então vencedora de três Tony por Carousel, Ragtime e Master Class, e viria a participar em ainda mais musicais e dramas de peso, incluindo Raisin in the Sun, que lhe valeu outro Tony. Apesar de uma carreira brilhante em palco e no ecrã nos Estados Unidos e de vários álbuns a solo de grande sucesso, é notável que nunca tenha atuado num musical no West End de Londres. Isso está prestes a mudar quando subir ao palco do Wyndham’s Theatre para interpretar Billie Holliday na transferência do seu êxito da Broadway de 2014, Lady Day at Emerson’s Bar & Grill. O espetáculo vê-a recriar uma atuação da grande cantora de jazz num bar de Filadélfia, em 1959 — que acabaria por ser uma das últimas de Holiday antes da sua morte prematura, apenas quatro meses depois.
No entanto, a estreia no Reino Unido deste espetáculo vencedor de um Tony quase não chegou a acontecer. Estava originalmente prevista a estreia no Wyndham’s em junho do ano passado, até Audra descobrir que, inesperadamente, ela própria “estava à espera”. “Fiquei bastante surpreendida por estar grávida aos 46”, recorda. “Não era exatamente assim que eu estava a planear passar aquele verão. Eu ia fazer Lady Day e, nos meus dias de folga, ia fugir para Paris, mas em vez disso tive um bebé.” Ela e o marido, o ator Will Swenson, deram as boas-vindas a Sally James McDonald Swenson em outubro. “Agora vou fugir para Paris nos meus dias de folga do West End, com o meu bebé e o meu marido.”
Ainda assim, a própria produção original quase não aconteceu depois de Audra ter dito ao seu amigo Lonny Price, o encenador, que não se sentia adequada para o papel, revela. “Eu disse que não porque é a Billie Holiday e nós sabemos o quão parecida eu soaria com a Billie Holiday”, recorda ter-lhe dito. “Eu não soou nada como a Billie Holiday — eu sou soprano — e não acho que consiga fazê-lo. É um espetáculo a solo e é só ela em palco durante quase uma hora e meia, e eu não acho que consiga fazer isto.”
No entanto, Lonny convenceu-a a trabalhar no projeto, com o apoio do produtor Jeffrey Richards, que já tinha trabalhado com Audra noutro grande êxito da Broadway, Porgy & Bess. “Ele deu-nos espaço para, ao longo de quase um ano e meio, nos sentarmos em salinhas de ensaio minúsculas, apenas para explorar e ver se eu conseguia fazer isto”, diz Audra. “No fim desse ano e meio, fiz uma leitura para o Jeffrey e alguns amigos dele e alguns dos outros possíveis produtores e, assim que saí de cena, pensei: ‘Pronto, é isso. Acabou-se. Isto não vai acontecer’. E então o Jeffrey voltou aos bastidores e disse: ‘Temos isto’.”
Escrito por Lanie Robertson, o espetáculo estreou no Circle in the Square, em Nova Iorque, em abril de 2014, com grande aclamação da crítica. Mas foi uma “viagem muito longa” até lá, sublinha Audra, recordando “muita pesquisa e muito tempo passado com todas as gravações — não apenas as gravações dela a cantar, mas gravações dela a falar, gravações em ensaio — e a entrevistar toda a gente que eu conseguia que a tivesse conhecido e que ainda estivesse viva.” Chegou mesmo a telefonar à escritora Maya Angelou, que viria a morrer mais tarde, em maio de 2014, já que se tinha tornado amiga de Billie Holiday nos últimos dois anos de vida da cantora. “Por isso, falei com toda a gente — digam-me o que sabem sobre ela, qual é a sua essência — só para eu conseguir tentar chegar a algo que parecesse verdadeiro.”
Isto levou Audra a confrontar-se com muito do que marcou a vida atribulada de Billie Holiday, desde a infância turbulenta nos anos 1920 até às batalhas posteriores com o álcool e as drogas, que contribuíram para a sua morte em julho de 1959, com apenas 44 anos. “Acho que é por isso que demorou um ano e meio: não só para tentar perceber quem ela era, mas também para a assumir aos poucos, porque foi uma vida tão pesada a que ela levou. Ela era uma mulher extraordinária. No fim, por mais difícil que seja interpretar esse papel noite após noite, digo sempre a mim própria: ‘Ela teve de o viver durante 44 anos muito turbulentos; eu consigo aguentar isso durante uma hora e 45 minutos’.”
Lady Day at Emerson’s Bar & Grill estará em cena durante apenas 12 semanas, de 17 de junho a 9 de setembro de 2017, no Wyndham’s Theatre, em Londres.
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