Desde 1999

Notícias e Críticas Confiáveis

26

anos

o melhor do teatro britânico

Bilhetes oficiais

Escolha seus assentos

Desde 1999

Notícias e Críticas Confiáveis

26

anos

o melhor do teatro britânico

Bilhetes oficiais

Escolha seus assentos

  • Desde 1999

    Notícias e Críticas Confiáveis

  • 26

    anos

    o melhor do teatro britânico

  • Bilhetes oficiais

  • Escolha seus assentos

NOTÍCIAS

CRÍTICA: O Testamento de Maria ✭

Publicado em

Por

stephencollins

Partilhar

Testamento de Maria

Barbican Theatre

20 de maio de 2014

1 estrela

Um dos grandes mistérios, uma das urgências mais prementes do nosso tempo, um dos temas controversos da vida moderna mais provocadores e debatidos é resolvido, revelado e iluminado pela produção de Deborah Warner de Testamento de Maria, atualmente em cena no Barbican Theatre.

Fiona Shaw rapa todos os pelos púbicos.

Bem, pelo menos fá-lo para esta produção, que é um «solo» e uma colaboração entre Shaw e Warner, com texto de Colm Toíbín.

Refiro isto porque, surpreendentemente, essa revelação é, na verdade, a única que a produção tem para oferecer.

Toíbín escreveu a peça primeiro como monólogo, depois como novela (nomeada para o Booker Prize) e, em seguida, Warner e Shaw levaram a sua colaboração para a Broadway e daí para o Barbican.

Toíbín escreve com mestria e subtileza; algumas passagens são maravilhosamente evocativas, quase mágicas na sua amplitude e beleza.

A premissa simples é contar muitos dos momentos altos da vida de Cristo do ponto de vista da sua mãe, uma mulher que, como tantas outras, sacrificou a vida e a felicidade pelo filho. Claro que não é uma versão simples; Toíbín entrelaça a narrativa com acontecimentos, pensamentos e sentimentos inesperados, comentando assim a fé, o feminismo e obsessões contemporâneas, ao mesmo tempo que aborda Lázaro, a crucificação, a ressurreição e outros pilares centrais do Cristianismo.

Seria, sem dúvida, uma poderosa peça radiofónica. Aliás, a produção de Warner faz o melhor possível para que as palavras de Toíbín sejam lidas ou apenas ouvidas; a imaginação do leitor ou do ouvinte consegue convocar possibilidades mais relevantes e pertinentes do que aquelas que Warner aqui alcança.

A ação começa com o público a ser convidado para o palco, onde pode deambular entre os diversos adereços e peças de mobiliário. Depois, a Sra. Shaw entra em cena com um enorme abutre numa das mãos e caminha por entre o público. Tudo isto parece sugerir a ideia de «remexer em ossos», reforçada pelo desaparecimento do tal abutre quando o texto entra em jogo e pela primeira imagem quando as luzes se acendem: a Sra. Shaw a tirar duas costelas secas de dentro da sua roupa.

Sim, é mesmo tão desajeitado e tosco como parece.

No programa, Warner diz:

"Quando lhe perguntam como é estar sozinha em palco, Fiona responde que, na verdade, não está propriamente sozinha em Testament. Para além da sua amiga emplumada antes do espetáculo — o abutre —, é apoiada por uma paisagem e um ambiente sonoro extraordinários, que trazem camadas de presença e vida ao universo onírico dentro do qual ela atua. Mas creio que ambas diríamos que há ainda outra dinâmica para este sentimento de comunidade."

Caso tenha curiosidade, essa surpreendente «outra dinâmica» é — o público. Quem diria que, numa produção teatral ao vivo, a resposta do público teria um papel significativo?

Sim.

Pois.

Toda a gente que alguma vez representou ou encenou uma peça.

Mas voltemos à «paisagem e universo onírico extraordinários» de Warner. Trata-se da tralha de adereços e mobiliário, cuidadosamente disposta por Tom Pye, e que nada faz para esclarecer o texto — mas faz muito para atrapalhar a interpretação de Shaw.

O que Warner faz é tentar impressionar o público com truques — mudanças de figurino, uma árvore que também serve de cruz da crucificação (e, na verdade, é bastante bonita, suspensa acima do chão, tentadoramente fora do alcance das expectativas), ecrãs que sobem e descem e se deslocam, refletindo ou emitindo luz ou mudando de cor, cadeiras, uma poça de água na qual a subitamente nua Shaw se mergulha à la batismo, uma gaiola para o abutre ausente, uma escada, uma mesa e outros detritos.

É tudo distração, como se o poder bruto da obra não fosse suficiente para segurar a atenção do público, como se Shaw não fosse capaz de manter uma sala cheia cativa durante 80 minutos. A amplificação inútil e sem propósito que Warner amontoa em torno da palavra apenas a prejudica, limita-a, diminui-a.

Shaw é, por vezes, pura magia. As secções sobre a crucificação e a ressurreição mostram-na no seu melhor. Mas, sem o disparate de Warner, faria ainda melhor; não há dúvida disso.

De certa forma, a sua prestação mais impressionante acontece quando o texto termina e as luzes descem e depois sobem novamente para os aplausos. Aí, nesse momento, Shaw transmite uma sensação de exaustão total; faz-nos acreditar (bem, quase) que ninguém alguma vez trabalhou tanto em palco, em lado nenhum. Mas os olhos contam outra história — estão vivos, à procura, a exigir aclamação. Fascinante. Uma manipulação tão deliberada.

Isto é uma tentativa implacável e inútil de fabricar grandeza. Falha de todas as formas possíveis e mensuráveis. Até os que se levantaram no fim passaram o espetáculo mergulhados num nevoeiro de perplexidade. A incompreensão apática transformou-se em adoração obrigatória — afinal, o Guardian deu cinco estrelas. E Shaw é uma grande atriz.

É verdade: Fiona Shaw é capaz de trabalhos extraordinários. Só que não desta vez.

Desta vez, mais uma vez, Deborah Warner falhou o essencial e quase destruiu tudo o que há de valioso na experiência teatral.

Um remédio fabuloso para a insónia.

Partilhe este artigo:

Receba o melhor do teatro britânico diretamente na sua caixa de entrada

Seja o primeiro a garantir os melhores ingressos, ofertas exclusivas e as últimas notícias do West End.

Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento. Política de privacidade

SIGA-NOS